Revista 'Mad' brasileira volta dos mortos
De editora nova, publicação estava fora das bancas desde o final de 2006.Para muitos dos leitores mais antigos, ela já estava morta e enterrada.
Mas depois de pouco mais de um ano fora das bancas, a versão brasileira da revista “Mad” ressuscita – pela quarta vez! – nesta semana. Com 34 anos de história e três editoras no currículo (Vechi, 74-83; Record, 84- 00; e Mythos, 00-06), a publicação mensal passa às mãos da Panini, responsável, entre outros, pelos quadrinhos da DC Comics no Brasil.
Toda em cores, mas com apenas 40 das 48 páginas anteriores, a primeira edição da nova série leva o título “De volta do mundo dos mortos” e vem recheada de cartuns de zumbis, piadas com Fidel Castro, além das tradicionais sátiras de filmes (“Harry Podre” e “Meu nome não é Enjôony”) e, claro, “mais uma ridícula dobradinha da Mad” na contracapa.
À frente da revista nestas últimas três décadas, o cartunista carioca Otacílio d’Assunção, o Ota, afirma em entrevista ao G1 que continuará tentando manter a publicação de pé. Sua proposta é seguir equilibrando a presença de artistas nacionais, como Luciano Felix, Tako X e Chiquinha, com o conteúdo traduzido da “Mad” americana, incluindo medalhões como Sergio Aragonés, Don Martin e Al Jaffee. Leia a seguir, trechos da entrevista de Ota.
G1 – Na sua opinião, depois de tantos anos, qual foi a melhor fase da “Mad” no Brasil?
Ota – Tirando problemas de qualidade de impressão, a fase da Record foi a melhor. A gente já tinha mais cancha da coisa e, quando mudamos (da Vecchi para a Record), ela já começou boa. Fomos aprendendo a fazer aos poucos. Mas com a queda de vendas, as editoras vão parando de investir. Não dá para fazer sem verba, você acaba assumindo tudo. Para ficar legal e atual, tem que ter conteúdo nacional. A americana está cada vez mais inaproveitável porque tem muita coisa que o comprador daqui não quer saber. Ele não quer saber do [senador e pré-candidato à presidência dos EUA, Barack] Obama ou da [senadora e também pré-candidata] Hillary [Clinton]. E na época da Vecchi, os filmes não eram lançados simultaneamente no mundo inteiro. Então dava tempo de casar a sátira certinho com o lançamento da revista aqui. Agora, quando sai, a coisa já passou. Sem falar que os hábitos mudaram. Antigamente, só tinha gibi, TV e cinema. Hoje, os moleques têm uma variedade enorme de jogos, internet, têm tudo. E, se têm pouco dinheiro, eles podem preferir comprar um Big Mac do que a “Mad”.terano, cartunista Ota diz ao G1 que quer apostar mais em brasileiros.
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