Ficou com a Porto da Pedra a responsabilidade de abrir o segundo e último dia de desfiles no Carnaval do Rio de Janeiro. Na noite desta segunda-feira, a escola entrou na Marquês de Sapucaí para lutar pelo direito humano de ser curioso e criar, com o samba-enredo Não Me Proíbam Criar, Pois Preciso Curiar! Sou o País do Futuro e Tenho Muito a Inventar!, a partir de 21h19 (de Brasília).
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O enredo do carnavalesco Max Lopes, desenvolvido por 4,5 mil componentes, em 32 alas e oito carros alegóricos, ressalta a sedução da curiosidade humana, o poder da descoberta que fez com que fossem alcançadas extraordinárias façanhas, mas também diversas catástrofes. O termo "curiar" na letra do samba significa esse ato de olhar algo com curiosidade, gerando novas atitudes em prol do planeta.
Na abertura do desfile, a escola traz neurônios e fala de graça divina e a origem do universo. O carro abre-alas traz um Deus dourado para lembrar a criação do homem à sua imagem e semelhança. O começo ressalta ainda o surgimento do pecado original, de Adão e Eva, que movidos pela curiosidade não resistiram ao desejo de comer o fruto proibido.
No primeiro setor, Idade da Pedra mostrou a descoberta do fogo. Perdendo o medo aos poucos, o homem do período paleolítico encontrou um modo como mantê-lo aceso, para iluminação e seu aquecimento. O método utilizado foi a observação de que as brasas poderiam ser avivadas pela ação do vento ou pelo sopro, fazendo a chama responder. A partir daí, o uso passou a ser para assar carne e cozinhar vegetais.
Em seguida, a Porto da Pedra narrou o início da civilização, com ala de diferentes povos. Gregas lembrou a lenda da caixa de Pandora, que continha todas as possibilidades de criação, às vezes assustadoras, às vezes maravilhosas, mas sempre surpreendentes. Aberta pelo impulso curioso de Epimeteu, a caixa liberou males que assolaram a humanidade.
Nos demais setores, a escola tratou desde o pensamento medieval, passando pela Renascença até a curiosidade do amanhã. Ao longo dos anos ampliaram-se as indagações, cresceram as possibilidades investigativas e com elas emergiram fantásticos conhecimentos acerca de religião, ciência, arquitetura, arte, literatura, música, teatro e, sobretudo, na forma de pensar. Leonardo da Vinci e o instinto natural do ser humano por criar foram assinalados pelo enredo, que por fim pôs em discussão evolução e destruição.
Completam o último dia de desfile as escolas Salgueiro, Imperatriz, Portela, Mangueira e Viradouro. A apuração do Carnaval carioca será realizada nesta quarta-feira.
Redação Terra
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